Garibaldi chegou na Luzz Design

Garibaldi

Após 1 ano e meio de pesquisas, experimentos e dedicação em todas as horas vagas, meu projeto de TCC foi aprovado! A fonte Garibaldi nasceu da minha vontade de entender o papel da caligrafia na época do surgimento da tipografia. Considero que atingi os meus objetivos. Agora meu trabalho é fazer da Garibaldi uma família completa (com itálico e negrito) para que ela possa conhecer o mundo.

Enquanto essa hora não chega, escrevi um post no blog da Luzz Design (o escritório no qual trabalho) com o objetivo de explicar a importância da tipografia para as marcas e mostrar um pouco como é o processo de desenvolvimento de uma nova fonte. Vá lá, leia e deixe a tua opinião. Aproveite também e curta a página no Facebook pra receber coisas legais na tua timeline ;)

Follow up: um ano de Nook

No início de 2013 completou um ano que recebi o meu Nook Simple Touch. Desde então, criei o hábito de ler (quase) todos os dias e consegui completar o desafio de ler 50 livros em um ano. Ainda fico maravilhado com o fato do Nook ser tão leve e carregar tantos livros. Hoje, simplesmente jogo ele na mochila e posso ler o que eu quiser onde quer que eu esteja.

Como eu sou curioso por estatísticas, logo quando recebi o Nook montei uma planilha simples para acompanhar os gastos com livros digitais, que fui alimentando ao longo do ano. Resolvi compartilhar esses dados depois que li um estudo publicado pela Zero Hora. Sabe-se que a diferença de preço entre os livros digitais e os livros impressos ainda é pequena no Brasil, isso quando o digital não é mais caro que o impresso. Segundo o estudo, a expectativa para um eReader se pagar no Brasil chega a mais de 300 livros!

Na tabela abaixo estão listados todos os livros digitais que comprei até hoje, o valor em reais que paguei, o menor valor em reais que eu pagaria se comprasse o livro físico (geralmente no Book Depository) e o percentual que economizei em cada compra. Não incluí os livros que baixei de graça pois achei que seria injusto comparar qualquer valor com zero. Mesmo assim, a diferença é grande.

Título do livro
Digital
Físico
Economia
TOTALR$ 440,75R$ 927,2952,47%
Surely You’re Joking, Mr. FeynmanR$ 15,85R$ 22,0728%
Starving the ArtistR$ 7,15R$ 29,2076%
Last Chance to SeeR$ 21,48R$ 17,78–21%
Europe from a BackpackR$ 14,31R$ 25,1343%
Slaughterhouse-FiveR$ 8,38R$ 18,7455%
O Restaurante no Fim do UniversoR$ 2,99R$ 9,9070%
The Internet Is a PlaygroundR$ 17,59R$ 17,590%
Six Easy PiecesR$ 17,59R$ 22,1521%
How We DecideR$ 1,86R$ 23,8792%
Proust Was a NeuroscientistR$ 7,48R$ 23,6768%
Love Bomb and the Pink PlatoonR$ 1,86R$ 21,8891%
Simple and Usable Web, Mobile and Interaction DesignR$ 31,08R$ 48,9336%
In Praise of CopyingR$ 27,60R$ 47,0341%
Shit My Dad SaysR$ 5,70R$ 16,5065%
Whatever You Do, Don’t RunR$ 11,03R$ 25,7757%
Anatolian Days and NightsR$ 19,06R$ 30,9238%
Designing for InteractionR$ 44,69R$ 67,3334%
Lifeboat No. 8R$ 4,22R$ -0%
Mobile Design Pattern GalleryR$ 34,73R$ 57,2539%
The Distant Land of My FatherR$ 4,28R$ 28,6385%
Designing Mobile InterfacesR$ 10,58R$ 75,0386%
Estrela BrasileiraR$ 12,00R$ 43,0072%
Practical Font DesignR$ 20,33R$ 40,4750%
The Bad BeginningR$ 2,00R$ 25,0392%
I’m Feeeling LuckyR$ 21,11R$ 26,5520%
The Last Days of Old BeijingR$ 8,13R$ 30,9774%
Guia Politicamente Incorreto da História do BrasilR$ 24,90R$ 39,9038%
CatwatchingR$ 20,36R$ 25,3120%
The Education of a TypographerR$ 7,31R$ 40,6582%
More Blood, More Sweat and Another Cup of TeaR$ 15,10R$ 26,0442%

Como podem ver na tabela, em um ano economizei R$ 486,54, o que corresponde a mais de 50% do valor que eu pagaria se comprasse todos os livros físicos. Considerando que paguei em torno de R$ 250 pelo Nook, ele se pagou quase 2 vezes até agora. Vale notar que, dos 30 livros que comprei, apenas 3 foram adquiridos no Brasil. Infelizmente, o mercado de livros digitais continua engatinhando em terras brasileiras, o que faz com que comprar livros digitais nacionais não seja tão vantajoso. Espero profundamente que isso mude num futuro próximo.

 

A tipografia é a expressão formal da escrita, e a escrita é a representação física da linguagem. A tipografia é a lingua franca do design gráfico – é o recipiente que guarda os códigos que representam ideias que carregam significados que desencadeiam a compreensão. A tipografia é o elemento mais importante no design gráfico, e tipografia é a disciplina (ou conjunto de disciplinas) mais fundamental que um aluno poder cursar como graduando.

—Steven Heller

Linotype O Filme

EDIT 28/10/2013Várias pessoas têm me pedido para disponibilizar as legendas em português para download. Infelizmente não posso fazer isso, visto que fui contratado apenas para fazer a tradução e não tenho permissão para distribuir qualquer material relacionado ao filme. Entretanto, o DVD e Blu-ray com legendas podem ser adquiridos na loja do filme. Para quem prefere uma versão para download, a loja americana do iTunes vende o filme também com legendas.


Uma dica para todos os que moram em Recife ou que estarão por lá na próxima segunda-feira, dia 04/06:  às 19h no Cinema São Luiz acontecerá a estreia pública nacional do documentário Linotype O Filme, de Douglas Wilson. Tive a oportunidade de traduzir as legendas para o português, e já adianto que o filme é espetacular! É daqueles que você assiste e fica querendo levar uma linotipo para casa.

Resumindo:

Quando: 04/06 (segunda-feira) às 19h,
Onde: no Cinema São Luiz, em Recife/PE.
Quanto custa: nada!

Para quem não vai poder estar em Recife no dia, pode acompanhar as notícias do filme e futuras exibições pelo site: http://www.linotypeofilme.com.br/. A versão brasileira é uma produção MandacaruTipocracia.

E enquanto o filme não estreia, fica o trailer:

Em busca do eReader perfeito

Depois que um livro digital da Amazon salvou um projeto para a faculdade no final do ano passado, resolvi comprar um leitor digital. Há algum tempo já que não carregava livros de literatura comigo por causa do peso e, quando tinha algum tempo livre no ônibus, no banco ou em alguma outra fila, não tinha o que fazer. Por essas tomei a decisão.

Minha primeira ideia era comprar um Kindle por causa da facilidade: eles enviam para o Brasil rapidamente e possuem uma ampla variedade de livros, quase todos disponíveis para compra aqui. Parece ser um sistema muito fácil de usar. Mas o Kindle só aceita os formatos da Amazon e eu não gosto da ideia a ficar preso num ecossistema proprietário. Além disso, até o momento todas as lojas brasileiras que vendem livros digitais adotaram o formato aberto EPUB. Portanto, eu queria um leitor com suporte a esse formato.

Minhas opções ficaram entre Nook Simple Touch, Kobo Touch, Sony PRS-T1Positivo Alfa. Logo de cara descartei o Positivo devido ao alto custo (ridículos R$799,00) e o Sony devido ao acabamento black piano (não quero nada que dê reflexos ou que fique com marca de dedos). Por fim optei pelo Nook da Barnes & Noble por alguns detalhes: é mais barato, parece ser mais confortável e tem botões físicos para avançar e voltar páginas.

Dispositivos comparados: Nook Simple Touch, Kobo Touch, Sony PRS-T1 e Positivo Alfa

Dispositivos comparados: Nook Simple Touch, Kobo Touch, Sony PRS-T1 e Positivo Alfa

Tudo o que eu sei a respeito dos dispositivos concorrentes eu aprendi lendo e assistindo a reviews na internet, então uma ou outra coisa pode ser diferente do que eu falo aqui.
Mas tem uma coisa que eu tenho certeza: o Nook é muito confortável! O tamanho do aparelho tem um bom equilíbrio entre área de leitura e praticidade, sendo pequeno (16,5 x 12,7 x 1,2 cm) e leve (212 g) o suficiente para carregar para qualquer lugar. Mas o grande diferencial do Nook é o seu acabamento da parte traseira. Ele tem uma textura emborrachada muito confortável, ainda mais com a área central rebaixada onde os dedos podem repousar. Realmente não canso de segurá-lo.

A moldura na parte da frente é fosca, o que evita distrações durante a leitura. Em cada lado da moldura existem 2 botões, sendo o de cima para avançar a página e o de baixo para voltar. No início achei isso estranho. Pensei que, se o texto é digital, estamos acostumados a utilizar uma barra de rolagem e faz mais sentido que o botão de baixo sirva para avançar. Mas logo na primeira hora eu entendi o motivo e voltei para a configuração de fábrica: quando estamos segurando o Nook com apenas uma mão, o polegar fica exatamente sobre o botão de cima e pode ser acionado sem malabarismos, ao contrário do botão de baixo.

Segurando com uma mão, o polegar fica sobre o botão de avançar página

Segurando com uma mão, o polegar fica sobre o botão de avançar página

O Nook Simple Touch tem uma tela E Ink Pearl de 6 polegadas com resolução de 800 x 600 pixels, o que significa aproximadamente 167 dpi. É capaz de mostrar 16 tons de cinza, suficientes para a maioria das imagens (sem esquecer que a única função do Nook Simple Touch é ler livros, nada mais). Sinceramente, depois de ler várias comparações com textos impressos a laser, achei que a renderização dos textos seria um pouquinho melhor, mas não deixa de ser muito boa.

Outra surpresa não muito agradável foi descobrir que a tela não é 100% livre de reflexos. Isso não quer dizer que não seja possível ler sob a luz do sol direta, até fica mais agradável, mas dependendo do ângulo fica ilegível. Vale lembrar que isso só acontece com o sol ou fontes de luz muito fortes e apenas em determinados ângulos, então não chega a ser um problema tão sério.

Nook Simple Touch sob a luz do sol

Nook Simple Touch sob a luz do sol

A bateria é para durar mais de 2 meses, o que não aconteceu comigo. Mas a culpa dessa vez realmente é minha, já que eu li muito mais do que 1 hora por dia como as letras miúdas anunciam. É bem complicado medir a carga da bateria em tempo. Só posso dizer que a primeira carga do meu Nook durou uns 10 dias apenas, mas nesse período eu li 3 livros inteiros, o que é uma ótima marca!

A respeito da tipografia, no Nook temos 6 opções:

Acredito que seja natural que cada usuário use apenas uma ou duas fontes para a leitura, e pra mim essas são a Malabar e a Amasis. A Malabar é uma fonte bem recente desenhada pelo Dan Reynolds como projeto final de mestrado e que inclusive foi premiada pelo Type Directors Club em 2009. Fiquei muito surpreso por sua presença no Nook, o que indica uma grande preocupação com a tipografia (principalmente por terem pagos os direitos de uso de cada uma das fontes, assim espero).

Já a Amasis é uma slab serif mais clara e mais condensada que a Caecilia. Eu até gosto da Caecilia, mas ela tem um problema de renderização no Nook que deixa o gancho do ‘a’ muito mais comprido que o bojo abaixo dele, e isso me irrita tanto que eu não consigo ler mais do que uma página com ela. E quanto às fontes sem serifa, tem gente que até gosta, mas não são pra mim. Isso tudo em 7 tamanhos de texto e 3 opções de margens e entrelinhas.

Opções tipográficas do Nook Simple Touch

Opções tipográficas do Nook Simple Touch

A variedade de títulos da Barnes & Noble não perde muito da Amazon e os preços geralmente são melhores (ou no mínimo não têm a “taxa de entrega” de 2 dólares cobrados pela fabricante do Kindle). Por outro lado, oficialmente ainda não é possível comprar livros no site da Barnes & Noble fora dos Estados Unidos, mas tudo se resolve com um endereço americano e TunnelBear.

Mas a maior vantagem em relação ao Kindle, na minha opinião, ainda é a compatibilidade com o formato EPUB. Isso quer dizer que eu posso comprar um livro digital na Livraria Cultura, na Saraiva ou no Gato Sabido e copiar para o meu Nook sem me preocupar em converter o arquivo. O lado ruim é que as editoras ainda insistem em colocar proteção contra cópia, que pode tornar a experiência problemática. Eu não tive problemas com isso, mas já ouvi que algumas pessoas tiveram.

No geral, o Nook foi uma ótima aquisição! Superou as minhas expectativas e me fez voltar a ler todos os dias. Agora tenho um peso morto a menos na mochila e a possibilidade de ler qualquer livro da minha coleção em qualquer lugar. Tá certo que o livro digital ainda engatinha aqui no Brasil (temos pouco mais de 7000 títulos disponíveis), mas já digo que, pra mim, livro impresso agora só se for de design.

P.S.: Se alguém quiser acompanhar o que eu estou lendo pode dar uma olhada no meu perfil no Goodreads.

Próxima parada: Brasília

Pra quem curte tipografia, tem evento obrigatório no dia 27 de agosto, daqui a exatamente um mês! É o DiaTipo DF, que vai acontecer na UnB em Brasília.

E pra quem ainda não conhece o DiaTipo, ele é um evento itinerante sobre tipografia. É um dia inteiro com palestras e debates sobre tipografia (e assuntos correlatos) que reúne “tipógrafos, calígrafos, designers, pesquisadores, profissionais de comunicação visual e demais apaixonados por letras de todo o país”.

Preciso dizer que nunca participei de qualquer evento nacional de tipografia, e estou muito empolgado para participar deste. No início estava meio relutante, já que eu já tinha dois compromissos marcados para aquele final de semana, mas parei pra refletir e cheguei à conclusão que não dá pra perder essa oportunidade! Vão ser 8 palestrantes, todos muito bons no que fazem: Fabio Haag (com quem fiz o curso de type design em maio), Eduílson Coan, Frederico Antunes, Elaine Ramos, Fabio Lopes, Daniel Souza, Alceu Nunes e o convidado especial, o português Dino dos Santos.

O Dino dos Santos vai ministrar um workshop sobre Multiple Masters na semana que antecede o DiaTipo DF, assim como o Eduílson Coan ministrará o workshop Tipocracia+Fontlab, ambos pagos à parte. Infelizmente não poderei participar de nenhum deles por motivos logísticos, mas, se você tiver disponibilidade, aproveite! Esses cursos não acontecem o tempo todo, e muito menos com esses preços!

Se ficou interessando no evento, siga o @DiaTipo no Twitter e não deixe pra fazer a inscrição na última hora! E se você já está inscrito, dá um toque aí pra gente bater um papo lá em Brasília!

Até lá!