Arquivo mensais:fevereiro 2011

Uma fonte séria

Depois de alguns dias de uso do TypeTool, que comprei recentemente, continuei a desenhar a fonte que comecei em janeiro do ano passado. Depois de desenhar boa parte dela, descobri que ela precisaria de alguns ajustes nas métricas verticais (as várias alturas características de uma fonte, como a altura-x, altura de versal, etc. que explicarei melhor no futuro). Sendo assim, resolvi redesenhá-la por completo para garantir um resultado melhor.

A ideia é desenhar uma fonte com serifas que seja adequada para a composição de textos longos e, claro, de leitura confortável. Ela tem uma certa inspiração nos tipos neoclássicos, principalmente pelo eixo vertical dos traços, mas tomei a liberdade de incluir alguns detalhes de outros estilos. O objetivo dessa fonte não é ser fiel a qualquer período histórico, mas sim uma experimentação pessoal sobre o processo de desenho de uma família tipográfica.

E esta é outra função que planejei para este blog. Quero escrever aqui regularmente sobre o progresso da minha fonte. É a maneira que encontrei para me motivar a desenhar cada vez mais. Afinal, a partir do momento em que eu publico, vira compromisso.

Conductor: www.mta.me

Volta e meia encontro coisas que eu gostaria de ter feito. Esta é uma delas.

Alexander Chen é o pai do projeto Conductor, uma representação gráfica animada das linhas de metrô de Nova York. Até aí tudo bem. Mas as linhas de metrô comportam-se como cordas de um instrumento musical e, cada vez que uma linha cruza outra, temos música (ou uma espécie de). As linhas são tocadas pelos trens ou você mesmo pode tocar cada uma delas.

Este projeto foi feito em HTML5 e JavaScript (com uma pitada de Flash para o áudio), e os horários de partidas e chegadas em cada estação são obtidos automaticamente através da API da Metropolitan Transportation Authority. Recomendo uma visita ao site, mas caso o seu navegador não suporte todos os recursos, assista ao vídeo abaixo (ou baixe o Opera).

via serrilha

Alegria do dia: FontLab TypeTool 3

Minha alegria do dia de hoje foi comprar uma licença do Fontlab TypeTool 3. Para quem não sabe, esse software é uma versão simplificada do Fontlab Studio 5, o padrão da indústria tipográfica. Enquanto que o FS5 custa 649 dólares, o FTT3 custa (apenas) 99 dólares. Claro que, com uma diferença de preço dessas, algumas funções estão faltando, como suporte a caracteres arábicos e hebraicos, macros, recursos especiais opentype, etc. Mas apesar disso, ele é ótimo para quem está começando e não quer (e nem deveria) gastar tanto dinheiro logo no início.

Fontlab TypeTool 3.0.0

Mas a dica vem agora! Se você é estudante, a Fontlab disponibiliza um desconto de 45% em seus principais produtos! Tudo o que você precisa fazer é preencher este formulário e enviá-lo por fax ou e-mail, juntamente com uma cópia da sua carteira de estudante. Chega de software pirata! A Fontlab sabe que seus produtos não são baratos e oferece uma grande oportunidade. Destaco ainda que os termos de uso são exatamente os mesmos da versão vendida no varejo, ou seja, não tem aquela história de “apenas para uso não-comercial”. Você pode vender as suas fontes sem problema algum.

A Fontlab se orgulha de ser uma empresa pequena, e por isso tem algumas outras facilidades. A mais interessante para mim agora é que, se em um ou dois anos eu decidir que preciso de uma licença do FS5, eles darão um desconto de 90 dólares por eu possuir uma licença do FTT3. É ou não é legal?

Café com responsabilidade social

Foi publicada segunda-feira, no blog The Dieline, esta nova linha de embalagens de café socialmente responsáveis da Peeze Coffee, desenhadas pelo escritório Sogood.

Novas embalagens da linha de cafés socialmente responsáveis da Pezze Coffee

Novas embalagens da linha de cafés socialmente responsáveis da Pezze Coffee

Minha primeira impressão foi boa e, comparando com as embalagens antigas (disponíveis no site do escritório, em Flash), pode-se dizer que é um enorme avanço. Entretanto, na falta de informações mais detalhadas sobre o projeto, posso apontar uma falha relevante.

Em primeiro lugar, não existe na principal face da embalagem qualquer especificação do tipo do café. Logo, pensei que todas elas continham o mesmo tipo do produto. Somente ao ver o verso das embalagens no site do escritório, entendi que cada personagem representa a variedade produzida em seu país de origem.

Além disso, sei que o produto é voltado ao mercado business-to-business (e acho louvável uma embalagem desse nível para este tipo de mercado, que geralmente é relegado), mas se ele fosse vendido no varejo poderia expôr um certo racismo velado dos consumidores, consequência do item mencionado acima. Sem uma indicação clara e objetiva de que se tratam de variedades de um mesmo produto com características diferentes, não poderia acontecer de uma ou duas embalagens “encalharem” no ponto de venda, simplesmente porque eu prefiro este personagem ou aquele outro? Uma embalagem com essa abordagem mira um público muito específico, com alto nível de instrução e poder de aquisição. Mas aí já é uma questão de posicionamento do produto.