Arquivo mensais:maio 2011

Type Design com Fabio Haag 3/5

Passamos oficialmente da metade do curso! Nessa terceira aula, finalmente terminei todo o alfabeto minúsculo (ainda sem acentuação). Posso dizer que estou bem contente com o resultado até agora e ansioso para terminar a minha primeira fonte! Mas até lá tenho muito trabalho pela frente, então vamos dar uma olhada no meu progresso dessa semana. Primeiro, preciso falar de uma coisa que esqueci no último post. É apenas um detalhe, mas muda muito a cara da fonte. Comecei desenhando as terminações das letras levemente côncavas convexas, mas ainda com os dois cantos vivos. Por sugestão do Fabio, deixei um dos cantos arredondado para dar um ar menos mecânico à fonte:

Terminais semiarredondados: antes e depois

Terminais semiarredondados: antes e depois

Das letras que eu já havia desenhado a mudança mais expressiva foi o g, que era do tipo gatinho e virou um g simples. Eu desenhei um g gatinho primeiro mais pelo desafio que ele representa para equilibrar as duas formas, mas eu já sabia que um g normal seria mais adequada ao conceito inovador desejado.

g gatinho e g simples

g gatinho e g simples

Outra alteração foi o início da padronização dos terminais. Enquanto que as formas dos terminais até que estavam consistentes, praticamente todos eles tinham uma espessura diferente. Fiz uma padronização rápida, mas ainda faltam alguns ajustes.

Padronização as espessuras dos terminais

Padronização as espessuras dos terminais e mudança na espinha do s

Agora falando da aula do último sábado, desenhei as letras d, p e q que eu ainda não tinha. Logicamente, primeiro desenhei elas errado. Pensando que todas faziam parte do mesmo grupo, espelhei o b para fazer todas as letras, (infelizmente não salvei essa opção para mostrar aqui). Só que, conforme o Fabio me mostrou, a origem caligráfica acaba deixando essas letras levemente diferentes. O traçado do b é similar ao q, enquanto que o d é similar ao p. Claro que os bojos não são exatamente iguais pois precisam de ajustes óticos, mas girar o b para fazer o q e o d para fazer o p já agiliza bastante o trabalho.

Contrução das letra b, q , d e p por rotação.

Contrução das letra b, q , d e p por rotação.

Um grupo de letras em que tenho bastante dificuldade são as diagonais (k, v, y, w, x, z — dessas, incrivelmente tenho mais dificuldade no z). Talvez isso aconteça porque eu geralmente faço elas por último, o que significa que até hoje eu devo ter desenhado esse conjunto uma ou duas vezes apenas. Desse modo eu não pratico e isso vira um círculo vicioso. Mas, como o objetivo do curso é desenhar uma fonte inteira, o jeito foi arregaçar as mangas e fazer. Uma característica dos traços diagonais é que eles precisam ser levemente mais espessos que os traços verticais (assim como os traços curvos). Não sei explicar o motivo científico disso, só sei que, se todos traços tiverem a mesma espessura, os verticais parecerão mais pesados que os outros. Fiz exatamente isso na minha fonte, mas exagerei quando fiz o z e acabou ficando muito escuro. Eu havia feito a mesma coisa no s e já consegui corrigir mais ou menos, mas ainda não está 100%.

Letras com traços diagonais

Letras com traços diagonais

Ainda falando sobre as diagonais, a letra y está me parecendo simples demais e não parece se encaixar tão bem com as demais letras. Não consegui achar uma forma de resolver esse problema, então vou analisar com mais calma depois. Uma ideia que eu tenho é fazer alguns caracteres alternativos para a fonte. Enquanto que ela está atendendo aos conceitos iniciais (cativante, inovador e icônico), penso que eu poderia explorar ainda mais todos eles e fazer uma fonte bem mais expressiva. Infelizmente, o Typetool não suporta programação opentype, que possibilitaria a troca automática de ligaturas ou ter vários conjuntos estilísticos no mesmo arquivo (o que justifica a diferença de preço para o Fontlab Studio), então a solução seria fazer à moda antiga: uma fonte normal e outra fonte apenas com caracteres alternativos. Porém, só nos restam duas aulas e eu preciso desenhar todas as maiúsculas, pontuação, algarismos e acentuação para poder gerar uma fonte utilizável. Isso significa que vou deixar as firulas para depois.

O alfabeto minúsculo completo (clique para ver maior)

O alfabeto minúsculo completo (clique para ver maior)

Type Design com Fabio Haag 2/5

O segundo encontro do curso de type design com o Fabio Haag foi bastante produtivo! Nessa aula começamos a vetorizar nossas fontes no Fontlab. Já nas primeiras letras que vetorizei pude ver algumas coisas para mudar, começando por deixar a letra “o” levemente mais larga e quadrada (mas bem pouca coisa mesmo). Depois eu vi que, apesar de ter gostado do “a” que eu desenhei, ele estava muito arredondado. Remetendo aos conceitos já definidos, isso estava pouco inovador mas cativante demais. Pra trazer a letra mais pra esse último conceito, resolvi deixar a parte de cima do bojo reta. Outro ajuste importante sugerido pelo Fabio, foi deixar a barra do “e” completamente na horizontal, já que a inclinação que eu havia desenhado no início é característica das tipografias em estilo antigo, o que acaba sendo indesejável em uma fonte com caráter inovador.

Primeira vetorização da fonte, antes e depois de alguns ajustes.

Primeira vetorização da fonte, antes e depois de alguns ajustes.

Outra dúvida foi o formato do pingo do “i”. Eu não queria fazer um pingo redondo nem quadrado pois são muito comuns para a proposta dessa fonte. Então, duas outras opções foram levantadas: um pingo hexagonal, sugerido pelo Fabio, ou um pingo losangular, que acabei escolhendo.

Opções de pingos da letra "i"

Opções de pingos da letra "i"

Durante a semana eu continuei desenhando mais alguns caracteres. A intenção era levar toda as minúsculas na aula de hoje, mas não consegui trabalhar o quanto eu gostaria. Mesmo assim, já consegui escrever a palavra “hamburgefonts” e imprimir pra ter uma ideia de como está ficando.

Primeiro teste impresso da fonte

Primeiro teste impresso da fonte

Type Design com Fabio Haag 1/5

No último sábado começou o tão esperado — pelo menos por mim (e talvez pela @saveaprayer também) — curso de extensão em Type Design com Fabio Haag, na Feevale. Serão 5 encontros ao todo lá em Novo Hamburgo, o que proporcionou um pequeno problema de logística, mas nada que não se resolva. E, antes tarde do que mais tarde, consegui escrever o primeiro post desta série.

O que posso falar de modo geral do curso é que ele é bem direto. Nas primeiras duas horas tivemos uma aula sobre a história da tipografia, mas não foi aquela aula que você está acostumado a assistir. O diferencial da aula do Fabio são os cases da Dalton Maag (a type foundry onde ele trabalha) que ele traz para cada período histórico. Por exemplo, um dos cases apresentados foi o da Knight Frank, onde a empresa precisava de uma fonte para títulos que fosse tradicional e contemporânea ao mesmo tempo. Para solucionar este problema, a Dalton Maag desenhou uma fonte alta e semiserifada, com contraste parecido com a Trajan. Um exemplo inspirador!

Depois disso, o curso se voltou para a produção de fontes. O foco desse curso, diferentemente de outros já ministrados pelo Fabio, será em fontes para texto. A exigência será maior, pois o objetivo é aprender toda a técnica para desenhar uma boa e legível. E um ponto positivo é que, como a turma é pequena (umas 12 pessoas), teremos bastante tempo para assessoramento.

Na hora de escolher a fonte que irei desenhar, resolvi unir o útil ao agradável. Preferi não desenhar a fonte que já havia começado (e que apresentei aqui), mas sim começar uma do zero. Como estou redesenhando a identidade visual do GNC Cinemas para a cadeira de Projeto Gráfico II, juntamente com Henrique Caravantes e Júlia Leão, optei por desenhar uma fonte institucional para a empresa.

Anteriormente, já havíamos definido que a nova identidade visual do GNC será baseada em três conceitos: cativante, inovador e icônico. Conversando com o Fabio, decidimos por algumas características que farão com que a fonte atenda aos conceitos. Em primeiro lugar, ela não terá serifas. Seus traços terão baixo contraste e suas terminações serão levemente convexas e arredondadas. A fonte vai puxar mais para uma humanista, mas ainda não tenho certeza se não vai ter uma ou outra característica de outras categorias.

Primeiros rafes para fonte do GNC Cinemas

Primeiros rafes para fonte do GNC Cinemas

Mais rafes para fonte do GNC Cinemas

Mais rafes para fonte do GNC Cinemas

Enfim, essas foram as definições para começar os rafes. Amanhã nós iremos vetorizar tudo e começar a desenhar os caracteres restantes. É possível que ainda ocorra alguma mudança nas formas básicas das letras, mas imagino que até às 17h de amanhã tudo estará bem definido e encaminhado. Pelo menos é o que eu espero!

Making Faces: Metal Type in the 21st Century

Logo no início do blog eu publiquei que eu tinha alguns projetos interessantes para este ano. Bom, hoje foi o dia em que pude ver um deles começar a tomar forma. Eu disse começar, porque a parte específica em que trabalhei por alguns meses vai ter que esperar mais um pouco ainda.

Estou falando do documentário Making Faces, produzido e dirigido por Richard Kegler, que retrata o processo de criação de uma fonte, tanto em formato digital quanto em metal, por Jim Rimmer. Esse filme foi um projeto que contou com a colaboração [massiva] no Kickstarter, atingindo 400% da meta inicial! E, depois de aguardar quase um ano, meu DVD chegou hoje, junto com um livreto da fonte Stern, um livreto da Rimmer Type Foundry e uma linda letrinha k em metal!

Um tipo móvel em metal da letra k da fonte Stern, brinde do DVD Making Faces.

Um tipo móvel em metal da letra k da fonte Stern, brinde do DVD Making Faces.

O filme documenta o processo de criação da fonte Stern tanto em formato digital quanto em metal. Enquanto que fontes digitais estão cada vez mais acessíveis para que qualquer pessoa com um computador as crie, as fontes em metal necessitam de um conhecimento técnico e um ferramental muito mais específico, como o documentário demonstra. E o filme em si é muito bom! É tudo muito claro e educativo. Como alguém que não conhecia o método pantográfico de confecção de tipos de metal, posso dizer que consegui ter uma ideia geral do processo muito facilmente.

O DVD do documentário Making Faces e o livreto da Rimmer Type Foundry com todos os tipos digitais criados por Jim Rimmer.

O DVD do documentário Making Faces e o livreto da Rimmer Type Foundry com todos os tipos digitais criados por Jim Rimmer

Apesar de já ter assistido o documentário antes, o DVD veio com vários extras que eu ainda não tinha visto. Um deles é o raro filme mudo The Creation of a Printing Type from the Design to The Print by Frederic W. Goudy, dirigido por Maurice Kellerman nos anos 1930s. É um documentário mudo de 10 minutos que demonstra todo o processo de criação de uma fonte em metal por Frederic Goudy, cujo método Rimmer adaptou. Em outra cena extra, Rimmer mostra como impressionar as mulheres mergulhando o dedo no metal derretido. Cativante!

Para quem se interessou, o DVD está à venda no site da P22 por 24,95 dólares. Mas eu recomendo que aguarde um pouco, pois a versão legendada deve sair ainda este ano!