Arquivo mensais:junho 2011

Type Design com Fabio Haag 4/5

Publico este post com atraso de uma semana. Meu plano era publicar cada post na semana logo depois da aula, mas outros projetos entraram com maior prioridade e o blog ficou em segundo plano. A maior parte do post já estava escrita, então não vou reinventar a roda e reescrever tudo. Então, a seguir, o post que deveria ter sido publicado na semana passada.

Devo dizer que o desafio está aumentando cada vez mais. Cheguei no ponto em que comecei a desenhar as letras maiúsculas e meio que travei. O problema delas é que, como eu já tenho todas as minúsculas que funcionam entre si, as maiúsculas precisam funcionar entre si e também com as minúsculas. E eu ainda tive uma certa dificuldade para julgar se estava seguindo o caminho certo com poucas letras. Mas, depois de consultar a ordem de desenho sugerida por Karen Cheng em seu livro Designing Type, e também acertar o peso e contraste das maiúsculas, tudo fluiu muito mais rápido.

Em linhas gerais, a caixa alta da fonte deve ter os traços levemente mais pesados e proporção das letras levemente mais estreitas que a caixa baixa. Os traços mais pesados compensam a altura maior dos caracteres e também servem para dar uma levíssima ênfase no início das frases, o que é desejável e até facilita a leitura. Porém, a diferença de peso deve ser mínima! Já a proporção mais estreita permite que as minúsculas e maiúsculas tenham larguras mais parecidas e torna viável a composição de textos em caixa alta por não ocuparem tanto espaço na linha. Resumindo, não adianta pegar a letra minúscula e aumentar para a altura da maiúscula que não vai funcionar.

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As letras A, E e G com suas versões minúsculas

Depois de passar por algumas dificuldades para definir as larguras dos traços e letras, consultei no livro Designing Type quais são os caracteres básicos das maiúsculas: O e E. O caractere O vai definir todas as curvas das maiúsculas, enquanto que o E define as espessuras de traço e principalmente o formato das terminações. Tendo o E, com operações simples eu consigo desenvolver o F, H, I, L e T. Esse é o lado bom da caixa alta. As letras não variam tanto em forma, pois muitas delas usam a mesma estrutura.

Caracteres derivados do O e do E

Caracteres derivados do O e do E

Tive uma semana muito cheia e não consegui trabalhar na fonte em casa. Ainda faltam 11 caracteres maiúsculos mas, para poder fazer um teste da fonte em um texto, comecei a desenhar a pontuação. Por enquanto só desenhei o ponto e a vírgula. Os dois caracteres são baseados no pingo do i, apenas um pouquinho maiores. E logo na primeira impressão, o Fabio me apontou que a vírgula estava muito tímida e poderia ser confundida com um ponto, em especial em tamanhos pequenos. Com base nisso, repensei esse caractere. Notei também que ele estava muito caligráfico (apesar de eu ter tirado a forma da descendente do j). Optei então por uma forma mais reta, mais coerente com a proposta de uma fonte sem serifa cativante e inovadora.

Testes do ponto e de diferentes variações da vírgula.

Testes do ponto e de diferentes variações da vírgula.

E por enquanto é isso. No próximo post falarei sobre o último encontro do curso e o resultado da empreitada.