Em busca do eReader perfeito

Depois que um livro digital da Amazon salvou um projeto para a faculdade no final do ano passado, resolvi comprar um leitor digital. Há algum tempo já que não carregava livros de literatura comigo por causa do peso e, quando tinha algum tempo livre no ônibus, no banco ou em alguma outra fila, não tinha o que fazer. Por essas tomei a decisão.

Minha primeira ideia era comprar um Kindle por causa da facilidade: eles enviam para o Brasil rapidamente e possuem uma ampla variedade de livros, quase todos disponíveis para compra aqui. Parece ser um sistema muito fácil de usar. Mas o Kindle só aceita os formatos da Amazon e eu não gosto da ideia a ficar preso num ecossistema proprietário. Além disso, até o momento todas as lojas brasileiras que vendem livros digitais adotaram o formato aberto EPUB. Portanto, eu queria um leitor com suporte a esse formato.

Minhas opções ficaram entre Nook Simple Touch, Kobo Touch, Sony PRS-T1 e Positivo Alfa. Logo de cara descartei o Positivo devido ao alto custo (ridículos R$799,00) e o Sony devido ao acabamento black piano (não quero nada que dê reflexos ou que fique com marca de dedos). Por fim optei pelo Nook da Barnes & Noble por alguns detalhes: é mais barato, parece ser mais confortável e tem botões físicos para avançar e voltar páginas.

Dispositivos comparados: Nook Simple Touch, Kobo Touch, Sony PRS-T1 e Positivo Alfa

Dispositivos comparados: Nook Simple Touch, Kobo Touch, Sony PRS-T1 e Positivo Alfa

Tudo o que eu sei a respeito dos dispositivos concorrentes eu aprendi lendo e assistindo a reviews na internet, então uma ou outra coisa pode ser diferente do que eu falo aqui.
Mas tem uma coisa que eu tenho certeza: o Nook é muito confortável! O tamanho do aparelho tem um bom equilíbrio entre área de leitura e praticidade, sendo pequeno (16,5 x 12,7 x 1,2 cm) e leve (212 g) o suficiente para carregar para qualquer lugar. Mas o grande diferencial do Nook é o seu acabamento da parte traseira. Ele tem uma textura emborrachada muito confortável, ainda mais com a área central rebaixada onde os dedos podem repousar. Realmente não canso de segurá-lo.

A moldura na parte da frente é fosca, o que evita distrações durante a leitura. Em cada lado da moldura existem 2 botões, sendo o de cima para avançar a página e o de baixo para voltar. No início achei isso estranho. Pensei que, se o texto é digital, estamos acostumados a utilizar uma barra de rolagem e faz mais sentido que o botão de baixo sirva para avançar. Mas logo na primeira hora eu entendi o motivo e voltei para a configuração de fábrica: quando estamos segurando o Nook com apenas uma mão, o polegar fica exatamente sobre o botão de cima e pode ser acionado sem malabarismos, ao contrário do botão de baixo.

Segurando com uma mão, o polegar fica sobre o botão de avançar página

Segurando com uma mão, o polegar fica sobre o botão de avançar página

O Nook Simple Touch tem uma tela E Ink Pearl de 6 polegadas com resolução de 800 x 600 pixels, o que significa aproximadamente 167 dpi. É capaz de mostrar 16 tons de cinza, suficientes para a maioria das imagens (sem esquecer que a única função do Nook Simple Touch é ler livros, nada mais). Sinceramente, depois de ler várias comparações com textos impressos a laser, achei que a renderização dos textos seria um pouquinho melhor, mas não deixa de ser muito boa.

Outra surpresa não muito agradável foi descobrir que a tela não é 100% livre de reflexos. Isso não quer dizer que não seja possível ler sob a luz do sol direta, até fica mais agradável, mas dependendo do ângulo fica ilegível. Vale lembrar que isso só acontece com o sol ou fontes de luz muito fortes e apenas em determinados ângulos, então não chega a ser um problema tão sério.

Nook Simple Touch sob a luz do sol

Nook Simple Touch sob a luz do sol

A bateria é para durar mais de 2 meses, o que não aconteceu comigo. Mas a culpa dessa vez realmente é minha, já que eu li muito mais do que 1 hora por dia como as letras miúdas anunciam. É bem complicado medir a carga da bateria em tempo. Só posso dizer que a primeira carga do meu Nook durou uns 10 dias apenas, mas nesse período eu li 3 livros inteiros, o que é uma ótima marca!

A respeito da tipografia, no Nook temos 6 opções:

Acredito que seja natural que cada usuário use apenas uma ou duas fontes para a leitura, e pra mim essas são a Malabar e a Amasis. A Malabar é uma fonte bem recente desenhada pelo Dan Reynolds como projeto final de mestrado e que inclusive foi premiada pelo Type Directors Club em 2009. Fiquei muito surpreso por sua presença no Nook, o que indica uma grande preocupação com a tipografia (principalmente por terem pagos os direitos de uso de cada uma das fontes, assim espero).

Já a Amasis é uma slab serif mais clara e mais condensada que a Caecilia. Eu até gosto da Caecilia, mas ela tem um problema de renderização no Nook que deixa o gancho do ‘a’ muito mais comprido que o bojo abaixo dele, e isso me irrita tanto que eu não consigo ler mais do que uma página com ela. E quanto às fontes sem serifa, tem gente que até gosta, mas não são pra mim. Isso tudo em 7 tamanhos de texto e 3 opções de margens e entrelinhas.

Opções tipográficas do Nook Simple Touch

Opções tipográficas do Nook Simple Touch

A variedade de títulos da Barnes & Noble não perde muito da Amazon e os preços geralmente são melhores (ou no mínimo não têm a “taxa de entrega” de 2 dólares cobrados pela fabricante do Kindle). Por outro lado, oficialmente ainda não é possível comprar livros no site da Barnes & Noble fora dos Estados Unidos, mas tudo se resolve com um endereço americano e TunnelBear.

Mas a maior vantagem em relação ao Kindle, na minha opinião, ainda é a compatibilidade com o formato EPUB. Isso quer dizer que eu posso comprar um livro digital na Livraria Cultura, na Saraiva ou no Gato Sabido e copiar para o meu Nook sem me preocupar em converter o arquivo. O lado ruim é que as editoras ainda insistem em colocar proteção contra cópia, que pode tornar a experiência problemática. Eu não tive problemas com isso, mas já ouvi que algumas pessoas tiveram.

No geral, o Nook foi uma ótima aquisição! Superou as minhas expectativas e me fez voltar a ler todos os dias. Agora tenho um peso morto a menos na mochila e a possibilidade de ler qualquer livro da minha coleção em qualquer lugar. Tá certo que o livro digital ainda engatinha aqui no Brasil (temos pouco mais de 7000 títulos disponíveis), mas já digo que, pra mim, livro impresso agora só se for de design.

P.S.: Se alguém quiser acompanhar o que eu estou lendo pode dar uma olhada no meu perfil no Goodreads.

20 ideias sobre “Em busca do eReader perfeito

  1. Edilton

    Muito legal. É sempre interessante ver a opinião de outra pessoas sobre ereaders. Comprei há alguns meses um kindle 4 e ele é muito semelhante a esse aparelho seu, inclusive o lance do “reflexo” na tela e os botões (a diferença é que o botão para avançar no kindle fica embaixo, mas ele ocupa um espaço maior do que o botão pra voltar). Não me arrependo. Foi uma ótima aquisição e estou me divertindo muito com ele.

    Abraço!

    1. Henrique Beier Autor do post

      Também analisei bastante o Kindle na minha pesquisa e sempre comparei com os outros aparelhos. Só resolvi ficar longe dele por causa do sistema fechado e dos 2 dólares a mais em cada compra mesmo. Mas não deixa de ser um aparelho excepcional! Afinal, foi ele quem criou o mercado de livros digitais que temos hoje.
      É uma pena que o mercado no Brasil ainda seja tão pequeno. Mas com aparelhos caros, marketing ineficiente das lojas e insegurança das editoras fica difícil ser muito diferente disso…
      Abraço!

  2. Gilmar Coimbra

    Após algumas pesquisas e indagações com quem já tinha o Kindle 3G WiFi, resolvi comprá-lo. Estou muito satisfeito e também me divirto bastante com ele, e através dele com minhas leituras.

    Mas, há controvérsias!

    Primeiro porque ele só aceita os arquivos .mobi; e alguns PDF’s, desde que estes não estejam ‘muito atrapalhados’.

    Através do SiGil e Calibre podemos converter para .mobi; mas acho isso MUITO pouco para “tamanha propaganda”, e disputa tão acirrada no mercado brasileiro.

    Além do mais, para piorar, existem uma “mirreca” de livros digitais (interessantes), disponíveis no Site da Amazon, em português-BR para comprarmos e baixarmos.

    Para piorar, os livros que compramos noutras livrarias, ex. Cultura, Saraiva, Leitura, etc., a gente não consegue lê-los no Kindle.

    Ora, que a gigante está com um pé dentro de Brasil, sabemos.

    Que vai arrebentar de tanto vender eBooks, também sabemos.

    A forma de limitar a leitura de outros tipos de arquivos, é algo que considero antidemocrático, anti-evolucionário e de uma estupidez tamanha, por parte dos “donos da coisa” que, sempre que posso, “desço a lenha” com força!

    Vai adiantar alguma coisa? – Não! – Sabemos que não!

    Mas fica registrado!

    1. Henrique Beier Autor do post

      Concordo contigo em gênero, número e grau!
      E tenho a impressão que, quando a Amazon chegar no Brasil esse ano, nos primeiros meses ela vai ultrapassar as concorrentes nacionais em quantidade de títulos pt-BR oferecidos. Infelizmente, isso só vai aumentar ainda mais o monopólio do sistema fechado do Kindle…

  3. André Leal

    Olá! muito bom o seu texto! Tava quase comprando um nook touch, mas soube q para ler pdf ele é meio ruim pois não dá pra rotacionar a tela ou dar zoom… como foi sua experiência com pdf no nook?

    1. Henrique Beier Autor do post

      De forma resumida, se você precisa um aparelho que leia PDF, fuja do Nook Simple Touch. Quando você abre um PDF nele, podem acontecer duas coisas: ou ele detecta o texto e tenta deixar ele “corrido” (e daí você consegue mudar fonte, tamanho, etc) ou ele carrega como se fosse uma imagem e não tem como dar zoom na página.
      No primeiro caso o texto fica uma bagunça, com notas de rodapé e números de página no meio do texto, títulos com a mesma fonte do texto normal, sem sumário, etc. No segundo caso, dependendo do tamanho da página do PDF, o texto fica pequeno demais para ler.
      Se PDF é uma necessidade, recomendo dar uma olhada no Kobo Touch.

  4. Joao

    Eu uso o Kindle 3 para ler pdf, apenas o faço em modo paisagem. O tamanho da fonte fica bom, mas pelo que li o mais recomendado para esse tipo de arquivo é o Sony.

    Em relação a bateria o Kindle tem o mesmo problema, no meu K3 com 3G e Wifi desativados, usando umas 4 horas por dia, não dura 2 semanas. Em aparelhos touch a duração – em tese – é ainda menor.

    Uma curiosidade, a tela não fica engordurada durante o uso? Nos telefones touch isso me incomoda bastante.

    1. Henrique Beier Autor do post

      É, pela minha pesquisa vi que o Sony é o que tem o maior número de funções avançadas, como um melhor leitor de PDFs, exportação das notas para o computador, etc. (talvez porque eles já estão nesse mercado há muitos anos, antes mesmo do Kindle), coisa que a maioria dos outros leitores não têm. Mas não consigo gostar do “jeitão” dele.
      Quanto à bateria do Kindle, imagino que a duração seja bem parecida. Acho que agora meu Nook vai durar os 2 meses com uma carga, já que as aulas recomeçaram, hehehe…
      Gordura na tela não chega a ser um problema. Só dá pra ver alguma marca depois de bastante uso, e mesmo assim é só passar a lateral da mão na tela que a gordura some. Longe dos telefones, que mesmo com pano às vezes custa para a tela ficar limpa. Até onde eu sei a tela dos leitores com touch é exatamente igual às dos leitores sem touch, já que o toque funciona através de uma malha de sensores infravermelhos posicionados ao redor da tela. Ou seja, não tem nenhuma camada a mais na tela por ser touch.

  5. Victor Reis

    E quanto ao root do andoid no Nook Simple Touch? Essa é a minha maior dúvida da compra já que no Sony PRS T1 parece ser bem fluido. Essa é a vantagem dos dois aparelhos já que eu posso baixar qualquer leitor, seja da Amazon, Nook, Sony, Kobo e as brasileiras, dicionários, entre outros.

    1. Henrique Beier Autor do post

      Li algumas coisas sobre o root do Nook mas não pretendo fazê-lo por enquanto. O que eu vi fala principalmente sobre o que acontece depois que o aparelho é rooteado, não conheço todo o processo. Não achei o root uma boa alternativa porque os aparelhos com root perdem o refresh de tela a cada 6 páginas (a tela vai ficar piscando toda a vez que o conteúdo mudar). Na minha opinião, a tela e-ink não é rápida o suficiente pra rodar um Android completo. Existe um fix que faz com que a tela não seja atualizada tão seguidamente, como pode ver no vídeo abaixo, mas ainda tenho medo de dar algum problema com o tempo:
      http://www.youtube.com/watch?v=6pBPsyno5PY
      Cada usuário vai ter uma opinião. Como comprei o Nook apenas pra ler livros de literatura, prefiro usar ele como foi projetado pra ser usado mesmo, pelo menos por enquanto.

  6. Alessandro Moraes dos Santos

    O problema do Kindle é a propaganda enganosa do Kindle App PC que não Sincroniza com o Kindle, eu comprei na expectativa de colocar os livros dentro do Kindle app PC e sincronizar com o Kindle, mas é uma falsa propaganda.

    Enfim o Kindle tem a pior utilização de coleções é terrível organizar as coleções tendo que fazer tudo um por um selecionar aceitar e ok….

    Tem que usar o Kindle Collection Manager para organizar, feito isso o tenebroso sistema de dar restart no kindle.

    um detalhe a maioria dos apps do kindle você consegue baixar o dicionário priberam, no kindle 3 isso não pode, outro fator são as margens de textos, não há possibilidade de Full screan.

    Amazon comprou a Mobipocket e depois ela exterminou a cia, que era de ótimos programadores franceses, comparado aos americanos.

    O kindle está que nem o Android “Fragmentação”

    Os últimos Kindle tem atualizações e os primeiros kindles não tem atualização, se comparado ao hardware para um ereader são basicamente a mesma coisa, não tem processadores Dual-core, não tem placa gráfica etc….não entendo por que o Sonolento BezZzZos fragmenta os Kindles e não tem um programa para PC igual ao Mobipocket que gerencia os livros nativamente.

    Só lembrando a tela inicial é terrível não tem a opção de HUbs, e não sei por que dar o nome de um Browser para Experimental.

    A tela é boa, mas as funcionalidades e navegação no Kindle é fragmentada e muito arcaica.

    1. Henrique Beier Autor do post

      Obrigado por compartilhar essas informações, Alessandro! É bom saber como as coisas funcionam na concorrência.

    1. Henrique Beier Autor do post

      Não, quadrinhos não é com ele. Acredito que, se o principal uso é ler quadrinhos, é melhor pegar um Nook Color ou um tablet mesmo. Sugiro perguntar para outras pessoas que têm algum desses dispositivos porque não pesquisei muito sobre isso e posso estar falando bobagem…

    1. Henrique Beier Autor do post

      Eu diria que não. Se o PDF original tem mais de uma coluna ou pequenos textos soltos (cabeçalhos, rodapés, numeração de página) o Nook não vale a pena. O Calibre vai embaralhar todos esses textos, não vai reconhecer títulos corretamente, enfim vira um caos.
      A exceção é para PDFs bem diagramados em apenas uma coluna e sem cabeçalhos, rodapés, etc, onde a conversão é tranquila e dá pra ler certinho, mas estes são raros.

  7. Luciano

    Estou pesquisando muito, e me parece unânime que o Sony PRS-T1 é a melhor opção para ler em PDF. O meu caso é o seguinte, o eReader me atrai por conta de sua tecnologia e-ink, no entanto, 100% dos livros que tenho estão em PDF. São livros apenas de textos, outros com fotos/gravuras e quadrinhos (maioria colorido). Os livros técnicos possuem gráficos, tabelas, imagens, cores (alguns) etc. Eu quase comprei o Kobo Glo na Cultura, mas o próprio vendedor me convenceu a não comprar ciente de minha necessidade. Eu posso tolerar a falta de cores, mas não posso comprar nada que não me dê um suporte impecável para PDF. Estou quase convencido que terei de comprar um tablet, mas se o eReader da Sony oferecer o suporte para PDF que preciso, são grandes as chances de eu comprá-lo.

    1. Henrique Beier Autor do post

      Entre os eReaders realmente o Sony é o melhor para PDFs. Mas se eu tivesse essa necessidade, acredito que acabaria comprando um tablet. As telas dos eReaders não são tão rápidas, o que pode virar frustração ao tentar dar zoom na página.
      Há pouco tempo atrás eu vi os tablets da própria B&N e me impressionei com o Nook HD. Ele pesa apenas 315 g, enquanto o iPad pesa 652 g! Se o meu principal uso fosse ler PDFs, certamente compraria este mesmo após a decisão da B&N de terceirizar a produção dos tablets.

Os comentários estão fechados.