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Type Design com Fabio Haag 5/5

Com um atraso bem maior do que o esperado (praticamente um mês e meio), posto a última parte da série sobre o curso de Type Design com o Fabio Haag. A última aula aconteceu no dia 04 de junho e foi bem mais leve, sem muita produção. Um dos motivos disso foi que a última hora estava reservada para que todos imprimissem suas fontes e pendurassem na parede para apreciação, além daquela foto tradicional.

Produção tipográfica dos colegas de curso

Produção tipográfica dos colegas de curso...

E a galera toda reunida

... e a galera toda reunida

Em relação à minha fonte, os caracteres que consegui fazer nessa última aula foram B, M, P e R. Para o R, primeiro fiz uma versão mais “normal” (à esquerda na imagem), mas depois tentei fazer algo mais próximo do K na junção do bojo com a perna. Ainda não estou 100% certo que essa é a melhor opção, por isso vou criar versões seguindo essa linha para os caracteres B e P para ver como fica no conjunto. É o caráter “inovador” tentando aparecer mais na fonte.

Comparação dos caracteres P, B, R e K

Comparação dos caracteres P, B, R e K

E, depois de um mês e meio término do curso, é claro que fiz mais alguns caracteres. Na verdade foram vários. Nesse meio tempo terminei as maiúsculas (desenhei os caracteres Q, S, V, W, X, Y e Z), desenhei os algarismos, pontuação básica (bem básica mesmo, ou incompleta, como preferir), e os caracteres acentuados minúsculos.

O Q ainda está bem cru. Por motivos óbvios, ele é baseado na letra O, mas engana-se quem pensa que é uma cópia fiel da letra mencionada. No detalhe da imagem, é visível a compensação ótica necessária em virtude de sua cauda. Além disso, é um dos caracteres do alfabeto que possibilita maior liberdade criativa. A que apresento agora é apenas a minha primeira tentativa de outras que virão.

Diferenças entre os caracteres Q e O

Diferenças entre os caracteres Q e O

Já o S foi desenhado em caráter emergencial. Como a fonte está sendo projetada para fazer parte de um sistema de identidade visual, ela também será aplicada no decodificador da assinatura. Nesse caso, nós precisávamos de todas as letras para compor a palavra “CINEMAS” que acompanha o logotipo. Ela não tem muito mistério, sendo apenas uma versão mais longa do s e com as espessuras dos traços ajustadas às proporções das outras letras maiúsculas.

Teste do caractere S no decodificador CINEMAS

Teste do caractere S no decodificador CINEMAS

Os caracteres V, W, X, Y e Z seguem o mesmo princípio. Foram adaptados a partir das minúsculas, tomando-se o cuidado de manter os mesmos terminais. A maior mudança aconteceu no W, onde a altura do vértice foi reduzida quando avaliada em proporção ao w. Isso aconteceu porque o tamanho que o caractere maiúsculo ocupa na linha possibilita que esse detalhe seja aumentado, sem comprometer a legibilidade.

V, W, X, Y e Z, em comparação com as minúsculas

V, W, X, Y e Z, em comparação com as minúsculas

Agora, os algarismos foram um verdadeiro desafio! Eu nunca havia sequer tentado desenhar números antes, e posso dizer que só consegui desenhá-los porque a Karen Cheng estava sempre ao meu lado. O “detalhe” que eu nunca havia percebido é que o contraste não segue a mesma regra do restante das letras: os traços horizontais dos algarismos são mais pesados que o normal, o que pode pegar algum desavisado de surpresa.

Algarismos

Algarismos

Também desenhei uma parte da pontuação básica apenas para poder usar a fonte em algumas aplicações, mas isso dá bem mais trabalho do que se imagina. Os dois pontos e ponto e vírgula usam os mesmos vetores do ponto e da vírgula, com apenas alguns ajustes na posição. Já o ponto de interrogação foi baseado na letra S, mas demandou vários ajustes para deixar equilibrado. Sobre o restante da pontuação falarei em um post futuro, onde também vou esclarecer algumas confusões com os diferentes tipos de traços. Pretendo também escrever um post falando exclusivamente da acentuação, mas não vou prometer prazos, já que dessa vez as férias vão ser curtas.

Uma parte da pontuação básica

Uma parte da pontuação básica

De minha parte, posso dizer que o curso com o Fabio Haag foi um sucesso total! Acredito que era o que estava faltando para eu começar a desenhar fontes de verdade, com alfabeto completo, algarismos e pontuação, e não só estudos de 7 letras como tinha feito até então. Para todos aqueles que pretendem se aventurar no type design, recomendo muito este curso. Mesmo sendo de curta duração, o Fabio não economiza nas dicas e está sempre disposto a entregar os segredos do ofício!

Até a próxima!

Type Design com Fabio Haag 4/5

Publico este post com atraso de uma semana. Meu plano era publicar cada post na semana logo depois da aula, mas outros projetos entraram com maior prioridade e o blog ficou em segundo plano. A maior parte do post já estava escrita, então não vou reinventar a roda e reescrever tudo. Então, a seguir, o post que deveria ter sido publicado na semana passada.

Devo dizer que o desafio está aumentando cada vez mais. Cheguei no ponto em que comecei a desenhar as letras maiúsculas e meio que travei. O problema delas é que, como eu já tenho todas as minúsculas que funcionam entre si, as maiúsculas precisam funcionar entre si e também com as minúsculas. E eu ainda tive uma certa dificuldade para julgar se estava seguindo o caminho certo com poucas letras. Mas, depois de consultar a ordem de desenho sugerida por Karen Cheng em seu livro Designing Type, e também acertar o peso e contraste das maiúsculas, tudo fluiu muito mais rápido.

Em linhas gerais, a caixa alta da fonte deve ter os traços levemente mais pesados e proporção das letras levemente mais estreitas que a caixa baixa. Os traços mais pesados compensam a altura maior dos caracteres e também servem para dar uma levíssima ênfase no início das frases, o que é desejável e até facilita a leitura. Porém, a diferença de peso deve ser mínima! Já a proporção mais estreita permite que as minúsculas e maiúsculas tenham larguras mais parecidas e torna viável a composição de textos em caixa alta por não ocuparem tanto espaço na linha. Resumindo, não adianta pegar a letra minúscula e aumentar para a altura da maiúscula que não vai funcionar.

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As letras A, E e G com suas versões minúsculas

Depois de passar por algumas dificuldades para definir as larguras dos traços e letras, consultei no livro Designing Type quais são os caracteres básicos das maiúsculas: O e E. O caractere O vai definir todas as curvas das maiúsculas, enquanto que o E define as espessuras de traço e principalmente o formato das terminações. Tendo o E, com operações simples eu consigo desenvolver o F, H, I, L e T. Esse é o lado bom da caixa alta. As letras não variam tanto em forma, pois muitas delas usam a mesma estrutura.

Caracteres derivados do O e do E

Caracteres derivados do O e do E

Tive uma semana muito cheia e não consegui trabalhar na fonte em casa. Ainda faltam 11 caracteres maiúsculos mas, para poder fazer um teste da fonte em um texto, comecei a desenhar a pontuação. Por enquanto só desenhei o ponto e a vírgula. Os dois caracteres são baseados no pingo do i, apenas um pouquinho maiores. E logo na primeira impressão, o Fabio me apontou que a vírgula estava muito tímida e poderia ser confundida com um ponto, em especial em tamanhos pequenos. Com base nisso, repensei esse caractere. Notei também que ele estava muito caligráfico (apesar de eu ter tirado a forma da descendente do j). Optei então por uma forma mais reta, mais coerente com a proposta de uma fonte sem serifa cativante e inovadora.

Testes do ponto e de diferentes variações da vírgula.

Testes do ponto e de diferentes variações da vírgula.

E por enquanto é isso. No próximo post falarei sobre o último encontro do curso e o resultado da empreitada.

Type Design com Fabio Haag 3/5

Passamos oficialmente da metade do curso! Nessa terceira aula, finalmente terminei todo o alfabeto minúsculo (ainda sem acentuação). Posso dizer que estou bem contente com o resultado até agora e ansioso para terminar a minha primeira fonte! Mas até lá tenho muito trabalho pela frente, então vamos dar uma olhada no meu progresso dessa semana. Primeiro, preciso falar de uma coisa que esqueci no último post. É apenas um detalhe, mas muda muito a cara da fonte. Comecei desenhando as terminações das letras levemente côncavas convexas, mas ainda com os dois cantos vivos. Por sugestão do Fabio, deixei um dos cantos arredondado para dar um ar menos mecânico à fonte:

Terminais semiarredondados: antes e depois

Terminais semiarredondados: antes e depois

Das letras que eu já havia desenhado a mudança mais expressiva foi o g, que era do tipo gatinho e virou um g simples. Eu desenhei um g gatinho primeiro mais pelo desafio que ele representa para equilibrar as duas formas, mas eu já sabia que um g normal seria mais adequada ao conceito inovador desejado.

g gatinho e g simples

g gatinho e g simples

Outra alteração foi o início da padronização dos terminais. Enquanto que as formas dos terminais até que estavam consistentes, praticamente todos eles tinham uma espessura diferente. Fiz uma padronização rápida, mas ainda faltam alguns ajustes.

Padronização as espessuras dos terminais

Padronização as espessuras dos terminais e mudança na espinha do s

Agora falando da aula do último sábado, desenhei as letras d, p e q que eu ainda não tinha. Logicamente, primeiro desenhei elas errado. Pensando que todas faziam parte do mesmo grupo, espelhei o b para fazer todas as letras, (infelizmente não salvei essa opção para mostrar aqui). Só que, conforme o Fabio me mostrou, a origem caligráfica acaba deixando essas letras levemente diferentes. O traçado do b é similar ao q, enquanto que o d é similar ao p. Claro que os bojos não são exatamente iguais pois precisam de ajustes óticos, mas girar o b para fazer o q e o d para fazer o p já agiliza bastante o trabalho.

Contrução das letra b, q , d e p por rotação.

Contrução das letra b, q , d e p por rotação.

Um grupo de letras em que tenho bastante dificuldade são as diagonais (k, v, y, w, x, z — dessas, incrivelmente tenho mais dificuldade no z). Talvez isso aconteça porque eu geralmente faço elas por último, o que significa que até hoje eu devo ter desenhado esse conjunto uma ou duas vezes apenas. Desse modo eu não pratico e isso vira um círculo vicioso. Mas, como o objetivo do curso é desenhar uma fonte inteira, o jeito foi arregaçar as mangas e fazer. Uma característica dos traços diagonais é que eles precisam ser levemente mais espessos que os traços verticais (assim como os traços curvos). Não sei explicar o motivo científico disso, só sei que, se todos traços tiverem a mesma espessura, os verticais parecerão mais pesados que os outros. Fiz exatamente isso na minha fonte, mas exagerei quando fiz o z e acabou ficando muito escuro. Eu havia feito a mesma coisa no s e já consegui corrigir mais ou menos, mas ainda não está 100%.

Letras com traços diagonais

Letras com traços diagonais

Ainda falando sobre as diagonais, a letra y está me parecendo simples demais e não parece se encaixar tão bem com as demais letras. Não consegui achar uma forma de resolver esse problema, então vou analisar com mais calma depois. Uma ideia que eu tenho é fazer alguns caracteres alternativos para a fonte. Enquanto que ela está atendendo aos conceitos iniciais (cativante, inovador e icônico), penso que eu poderia explorar ainda mais todos eles e fazer uma fonte bem mais expressiva. Infelizmente, o Typetool não suporta programação opentype, que possibilitaria a troca automática de ligaturas ou ter vários conjuntos estilísticos no mesmo arquivo (o que justifica a diferença de preço para o Fontlab Studio), então a solução seria fazer à moda antiga: uma fonte normal e outra fonte apenas com caracteres alternativos. Porém, só nos restam duas aulas e eu preciso desenhar todas as maiúsculas, pontuação, algarismos e acentuação para poder gerar uma fonte utilizável. Isso significa que vou deixar as firulas para depois.

O alfabeto minúsculo completo (clique para ver maior)

O alfabeto minúsculo completo (clique para ver maior)

Type Design com Fabio Haag 2/5

O segundo encontro do curso de type design com o Fabio Haag foi bastante produtivo! Nessa aula começamos a vetorizar nossas fontes no Fontlab. Já nas primeiras letras que vetorizei pude ver algumas coisas para mudar, começando por deixar a letra “o” levemente mais larga e quadrada (mas bem pouca coisa mesmo). Depois eu vi que, apesar de ter gostado do “a” que eu desenhei, ele estava muito arredondado. Remetendo aos conceitos já definidos, isso estava pouco inovador mas cativante demais. Pra trazer a letra mais pra esse último conceito, resolvi deixar a parte de cima do bojo reta. Outro ajuste importante sugerido pelo Fabio, foi deixar a barra do “e” completamente na horizontal, já que a inclinação que eu havia desenhado no início é característica das tipografias em estilo antigo, o que acaba sendo indesejável em uma fonte com caráter inovador.

Primeira vetorização da fonte, antes e depois de alguns ajustes.

Primeira vetorização da fonte, antes e depois de alguns ajustes.

Outra dúvida foi o formato do pingo do “i”. Eu não queria fazer um pingo redondo nem quadrado pois são muito comuns para a proposta dessa fonte. Então, duas outras opções foram levantadas: um pingo hexagonal, sugerido pelo Fabio, ou um pingo losangular, que acabei escolhendo.

Opções de pingos da letra "i"

Opções de pingos da letra "i"

Durante a semana eu continuei desenhando mais alguns caracteres. A intenção era levar toda as minúsculas na aula de hoje, mas não consegui trabalhar o quanto eu gostaria. Mesmo assim, já consegui escrever a palavra “hamburgefonts” e imprimir pra ter uma ideia de como está ficando.

Primeiro teste impresso da fonte

Primeiro teste impresso da fonte

Uma fonte séria

Depois de alguns dias de uso do TypeTool, que comprei recentemente, continuei a desenhar a fonte que comecei em janeiro do ano passado. Depois de desenhar boa parte dela, descobri que ela precisaria de alguns ajustes nas métricas verticais (as várias alturas características de uma fonte, como a altura-x, altura de versal, etc. que explicarei melhor no futuro). Sendo assim, resolvi redesenhá-la por completo para garantir um resultado melhor.

A ideia é desenhar uma fonte com serifas que seja adequada para a composição de textos longos e, claro, de leitura confortável. Ela tem uma certa inspiração nos tipos neoclássicos, principalmente pelo eixo vertical dos traços, mas tomei a liberdade de incluir alguns detalhes de outros estilos. O objetivo dessa fonte não é ser fiel a qualquer período histórico, mas sim uma experimentação pessoal sobre o processo de desenho de uma família tipográfica.

E esta é outra função que planejei para este blog. Quero escrever aqui regularmente sobre o progresso da minha fonte. É a maneira que encontrei para me motivar a desenhar cada vez mais. Afinal, a partir do momento em que eu publico, vira compromisso.

Alegria do dia: FontLab TypeTool 3

Minha alegria do dia de hoje foi comprar uma licença do Fontlab TypeTool 3. Para quem não sabe, esse software é uma versão simplificada do Fontlab Studio 5, o padrão da indústria tipográfica. Enquanto que o FS5 custa 649 dólares, o FTT3 custa (apenas) 99 dólares. Claro que, com uma diferença de preço dessas, algumas funções estão faltando, como suporte a caracteres arábicos e hebraicos, macros, recursos especiais opentype, etc. Mas apesar disso, ele é ótimo para quem está começando e não quer (e nem deveria) gastar tanto dinheiro logo no início.

Fontlab TypeTool 3.0.0

Mas a dica vem agora! Se você é estudante, a Fontlab disponibiliza um desconto de 45% em seus principais produtos! Tudo o que você precisa fazer é preencher este formulário e enviá-lo por fax ou e-mail, juntamente com uma cópia da sua carteira de estudante. Chega de software pirata! A Fontlab sabe que seus produtos não são baratos e oferece uma grande oportunidade. Destaco ainda que os termos de uso são exatamente os mesmos da versão vendida no varejo, ou seja, não tem aquela história de “apenas para uso não-comercial”. Você pode vender as suas fontes sem problema algum.

A Fontlab se orgulha de ser uma empresa pequena, e por isso tem algumas outras facilidades. A mais interessante para mim agora é que, se em um ou dois anos eu decidir que preciso de uma licença do FS5, eles darão um desconto de 90 dólares por eu possuir uma licença do FTT3. É ou não é legal?