Nota mental 01

Apenas um breve post para adicionar mais um objetivo pessoal na lista: melhorar minhas habilidades comunicativas. Segue o trecho do post que me motivou, em uma tradução livre:

Designers medíocres com ótimas habilidades comunicativas conseguem mais trabalho que ótimos designers com habilidades comunicativas medíocres. Eu não estou dizendo que isso é certo ou errado. Simplesmente é assim.

O cliente precisa sentir que você entendeu seu problema para então adquirir confiança que você pode solucioná-lo. Existem poucas armas mais poderosas no arsenal de um designer profissional que a habilidade de ouvir bem e repetir para o cliente seu briefing mais precisa e resumidamente que ele acabou de solicitar. Se você consegue fazer isso, você vai conseguir bons trabalhos e muitos deles.

—Kate Nielsen, no blog Design Assembly

O que também me lembra que preciso ler o livro Como ser um designer gráfico sem vender sua alma, de Adrian Shaughnessy, que comprei há algum tempo mas ainda não tive tempo para sentar com ele.

Papagaios, o Universo e Tudo Mais

A genialidade de Douglas Adams me assombra. Considero ele um dos melhores satiristas de todos os tempos. Não que eu tenha qualquer autoridade para afirmar isso, mas a julgar pela sua “trilogia de quatro livros” (que na verdade são cinco) minha opinião se confirma. A propósito, vejo muita semelhança com o humor do também inglês Ricky Gervais, criador das brilhantes séries The Office.

Há algum tempo atrás assisti ao vídeo da palestra Parrots, the Universe and Everything de Adams, realizada em maio de 2001 na UCSA poucos dias antes de falecer. Nela, ele fala sobre seu livro preferido—que não é tão famoso assim—, Last Chance to See, escrito em conjunto com Mark Carwardine com base na série de rádio homônima produzida pela BBC. Nessa série, Adams e Carwardine visitam vários lugares do mundo para tentar conhecer alguns animais ameaçados de extinção. A maneira com que Adams relata suas experiências é absurdamente divertida por sua ironia, mesmo tratando de um assunto sério. Recomendo muito assistir! Infelizmente o vídeo não tem legendas, e o mais próximo disso é esta transcrição em inglês, mas que já deve ajudar um pouco. E recomendo que fique bem confortável, pois a palestra tem 1 hora e 27 minutos.

Ao final da palestra o microfone é aberto para perguntas da plateia. Claro que todas as perguntas que foram feitas dizem respeito aos seus livros da série O Guia do Mochileiro das Galáxias. Na última pergunta, a 1:23:20 do vídeo, uma moça pergunta a Douglas Adams o que ele tem contra relógios digitais, referindo-se à primeira frase do primeiro capítulo do primeiro livro da série. A resposta foi a seguinte, em uma tradução livre:

Bem, eu tenho que admitir que eles melhoraram muito desde que eu escrevi aquilo. Mas se você pensar sobre isso, os primeiros relógios digitais que eram… olhe um relógio normal com ponteiros e você verá um gráfico de pizza. Lembra daquele tempo quando costumávamos nos empolgar com os gráficos de pizza que o computador fazia para nós? Oh, gráficos de pizza! Mas ao mesmo tempo em que estávamos ficando incrivelmente empolgados com os gráficos de pizza e o que eles podiam fazer para o nosso entendimento do mundo, nós estávamos dizendo: “Nós não queremos gráficos de pizza em nossos pulsos. É uma tecnologia ultrapassada. Não, nós não queremos algo que basta dar uma olhada rápida para ver que horas são. Nós queremos uma coisa que faça você ir até um canto escuro, coloque sua maleta no chão e pressione um botão para ler: “Oh, são 11:43, agora o que é… Uhm… Quanto falta pras doze horas?”. E isso era progresso.

Mas veja bem, a melhor coisa do ser humano—aproveitando para fazer uma piada—é que nós não só inventamos coisas que são melhores e realizam suas funções melhor. Mas até as coisas que já funcionam perfeitamente nós não conseguimos deixar em paz! É um dos aspectos mais interessantes do ser humano: nós continuamos inventando aquilo que já acertamos uma vez. Por exemplo, as torneiras. É muito muito simples: você gira pra um lado e a água sai; você gira pro outro e a água para. Nós ficamos craques nisso. Isso funciona. Mas é incrível quando você está em um hotel, ou num aeroporto, e você se aproxima da pia com uma certa ansiedade, sabe. “Certo, o que eu faço? Eu giro alguma coisa? Eu aperto alguma coisa? Eu puxo alguma coisa? Eu dou uma joelhada? Eu só preciso ficar perto?” E depois que a água começa a sair, porque a torneira captou uma espécie de onda de energia cerebral de você ou sei lá, como que para? “É meu trabalho fazer a água parar? Ou vai parar sozinha?” Eu acho que nós já acertamos a torneira na primeira vez…

Douglas Adams
Fonte: http://navarroj.com/parrots/

EDIT 29/03/2011: Por uma grande coincidência, comecei a ler essa semana o livro O Design do Dia-a-Dia, de Donald A. Norman, que fala justamente sobre relógios digitais e torneiras, além de portas, geladeiras e telefones. Este é o livro que afirma que, se você não consegue usar um produto, a culpa não é tua mas sim do designer. Coloque este livro na tua lista.

Coisa incrível essa tal de memória olfativa

Neste último sábado fui visitar novamente a Livraria Cultura, depois de um bom tempo. O saldo da brincadeira foram os livros O design brasileiro de tipos digitais, de Ricardo Esteves, 1984, de George Orwell, O professor e o louco, de Simon Winchester, e A linguagem das coisas, de Deyan Sudjic. E foi este último que me inspirou para escrever este post.

Este livro é impresso pela RR Donnelley sobre papel Couché Magno Satin 150g/m². Não sei se é por causa do papel, tinta ou cola, só sei que o cheiro dele é o mesmo dos livros da série New Interchange, com os quais comecei a aprender inglês quando eu tinha uns 12 anos (eu acho). Mas o mais interessante é que esse cheiro na verdade me lembra especificamente das ilustrações de Randy Jones (não confundir com Randy Jones, caubói do Village People). Engraçado pensar que até ilustração tem cheiro…

Exercício do livro Interchange ilustrador por Randy Jones

Ilustração de Randy Jones para livro da série New Interchange.

Ilustração de Randy Jones para livro da série New Interchange.

Créditos das ilustrações: © Randy Jones.
Exercício extraído do livro Interchange Third Edition, de Jack C. Richards com Jonathan Hull, Susan Proctor & Charles Shields. © Cambridge University Press 2008.

Justificando

Escrevo este rápido post apenas para justificar a minha ausência nas últimas semanas. Nesse tempo, estive trabalhando em vários projetos, sendo um deles o que eu já havia comentado a respeito aqui no blog.

Mas outro projeto também está me tomando bastante tempo, que é o redesenho deste blog/portfólio. Na verdade, não vejo problema algum com o leiaute atual do blog, mesmo sendo o padrão WordPress. O problema é que estou atualmente sem portfólio, e como eu preciso desenhar alguma coisa pra ele, optei por fazer um redesenho mais abrangente e usar o mesmo leiaute nos dois. Quero que o blog complemente o portfólio e vice-versa, mas sem misturá-los.

Não vou prometer prazos, já que é a primeira vez que desenho um template para WordPress, mas vou tentar não deixar o blog abandonado nesse meio tempo.

Até mais!

Uma fonte séria

Depois de alguns dias de uso do TypeTool, que comprei recentemente, continuei a desenhar a fonte que comecei em janeiro do ano passado. Depois de desenhar boa parte dela, descobri que ela precisaria de alguns ajustes nas métricas verticais (as várias alturas características de uma fonte, como a altura‑x, altura de versal, etc. que explicarei melhor no futuro). Sendo assim, resolvi redesenhá-la por completo para garantir um resultado melhor.

A ideia é desenhar uma fonte com serifas que seja adequada para a composição de textos longos e, claro, de leitura confortável. Ela tem uma certa inspiração nos tipos neoclássicos, principalmente pelo eixo vertical dos traços, mas tomei a liberdade de incluir alguns detalhes de outros estilos. O objetivo dessa fonte não é ser fiel a qualquer período histórico, mas sim uma experimentação pessoal sobre o processo de desenho de uma família tipográfica.

E esta é outra função que planejei para este blog. Quero escrever aqui regularmente sobre o progresso da minha fonte. É a maneira que encontrei para me motivar a desenhar cada vez mais. Afinal, a partir do momento em que eu publico, vira compromisso.

Conductor: www.mta.me

Volta e meia encontro coisas que eu gostaria de ter feito. Esta é uma delas.

Alexander Chen é o pai do projeto Conductor, uma representação gráfica animada das linhas de metrô de Nova York. Até aí tudo bem. Mas as linhas de metrô comportam-se como cordas de um instrumento musical e, cada vez que uma linha cruza outra, temos música (ou uma espécie de). As linhas são tocadas pelos trens ou você mesmo pode tocar cada uma delas.

Este projeto foi feito em HTML5 e JavaScript (com uma pitada de Flash para o áudio), e os horários de partidas e chegadas em cada estação são obtidos automaticamente através da API da Metropolitan Transportation Authority. Recomendo uma visita ao site, mas caso o seu navegador não suporte todos os recursos, assista ao vídeo abaixo (ou baixe o Opera).

via serrilha

Alegria do dia: FontLab TypeTool 3

Minha alegria do dia de hoje foi comprar uma licença do Fontlab TypeTool 3. Para quem não sabe, esse software é uma versão simplificada do Fontlab Studio 5, o padrão da indústria tipográfica. Enquanto que o FS5 custa 649 dólares, o FTT3 custa (apenas) 99 dólares. Claro que, com uma diferença de preço dessas, algumas funções estão faltando, como suporte a caracteres arábicos e hebraicos, macros, recursos especiais opentype, etc. Mas apesar disso, ele é ótimo para quem está começando e não quer (e nem deveria) gastar tanto dinheiro logo no início.

Fontlab TypeTool 3.0.0

Mas a dica vem agora! Se você é estudante, a Fontlab disponibiliza um desconto de 45% em seus principais produtos! Tudo o que você precisa fazer é preencher este formulário e enviá-lo por fax ou e‑mail, juntamente com uma cópia da sua carteira de estudante. Chega de software pirata! A Fontlab sabe que seus produtos não são baratos e oferece uma grande oportunidade. Destaco ainda que os termos de uso são exatamente os mesmos da versão vendida no varejo, ou seja, não tem aquela história de “apenas para uso não-comercial”. Você pode vender as suas fontes sem problema algum.

A Fontlab se orgulha de ser uma empresa pequena, e por isso tem algumas outras facilidades. A mais interessante para mim agora é que, se em um ou dois anos eu decidir que preciso de uma licença do FS5, eles darão um desconto de 90 dólares por eu possuir uma licença do FTT3. É ou não é legal?